Quarta-feira, Maio 31, 2006

Saudades...




Sinto falta da luz e da cor...
Já não aguento mais cinzento!

Neurogenesis: mais um furo no barco

Quando andava à procura de labs ainda considerei o campo da neurogenesis porque era algo bastante recente e parecia que grandes conclusões sobre a verdadeira função da neurogenése no cérebro adulto ainda estava por descobrir. Depois havia aquela hipótese de poder estar relacionado com learning and memory que era o que eu queria fazer hehe Mas depois de ler uns papers com mais atenção, é fácil verificar que é um campo cheio de lacunas e resultados controvernos nomeadamente por a maioria dos métodos utilizados para prevenir a divisão celular serem tóxicos.

Esta semana saiu mais um paper na nature neuroscience a reforçar a ideia que neurogénse não desempenha uma papel fundamental para learning and memory.
Os artigos clássicos que mostram uma correlação entre neurogénese e aprendizagem melhorada normalmente usam um protocolo que se chama "meio rico". Isto é, os ratos antes dos testes de memória são colocados em casas cheias de brinquedos que eles podem explorar à vontade; andar na rodinha :) (fazem exercício) etc. Quando comparam os ratos que estiveram durante semanas num ambiente enriquecido com ratos que passaram aquelas semanas todas na sua caixita boring, os ratitos que andaram a brincar portam-se melhor e têm maior facilidade em aprender. Ora brincar faz bem! Vamos para os copos??!!! ... continuando
E normalmente o pessoal diz que esta maior facilidade em aprendizagem se deve à neurogénese.

Neste paper, eles previnem a divisão celular (que ocorre normalmente no hipocampo) com radiação; medem a divisão celular com BrdU e DCX (e mostram que não há divisão) mas quando comparam a performance dos dois tipos de grupo: ratos que estiveram num ambiente enriquecido com e sem neurogénese bloqueada e ratos que não estiveram naquele ambiente (com e sem neurogénse bloqueada) a diferença é a mesma, ou seja, não é a neurogénse a responsável pela melhoria observada nos ratos que andaram a brincar.

Os testes que usaram para estudar a memória foi o water maze.

E pronto, se pensarem em neurogénese, não tem nada a ver com learning and memory!

Um Caso Clínico

Aos 8 anos, portanto ainda na segunda classe, os colegas de turma e até os matulões da quarta classe diziam-lhe que ele tinha futuro na bola. A. então sonhava em tornar-se um famoso jogador do seu clube de coração – o FCP – e quando ia ao barbeiro pedia um corte igual ao do Fernando Gomes (para os mais esquecidos ou menos informados nestas matérias este foi um dos grandes goleadores da equipa do Dragão). Valha-nos que nessa altura A. tinha ainda algum bom gosto e não pedia um corte à Futre.

Terminados os quatro anos de escola primária A. recebe de presente um skate profissional, depois de já ter dado os primeiros toques num skate “Continentex”. A. então sonhava em ser um skater rebelde e admirado pela comunidade de skaters em portugal como o novo menino prodígio do desporto da urbe. Aos 12 anos A. muda de escola e descobre o surf. Apaixonado pelo mar A. estava convencido que tinha encontrado o desporto que lhe traria o sucesso. Munido de prancha, fato e pes de pato A. sonhava em surfar as maiores ondas, nas quais faria as manobras mais radicais e espectaculares. Iria ter patrocínios, tornar-se campeão do mundo e passar a vida a viajar de praia em praia. Nesta fase A. também sonhava em encontrar uma morena de olhos verdes com quem (eventualmente) casaria e com quem seria feliz para sempre.

Na Universidade A. sonhava que iria ser convidado para ser Professor Universitário e que rapidamente se tornaria rico, sem para isso ter que fazer muito.

Há coisa de 7 meses A. sonhava que iria ter um primeiro ano de doutoramento de fazer história, com tudo a correr optimamente e com um paper de sua autoria a sair para as bancas nos melhores jornais a cada mês que passasse. Mais uma vez A. viu-se obrigado a mudar de sonho. Actualmente A. corre cerca de 4 milhas duas a três vezes por semana e já sonha com o pódio na próxima maratona de Nova Iorque. A. acha que o seu único problema é sonhar alto. Segundo o próprio, nunca ninguém lhe disse que ele era maluco.

Terça-feira, Maio 30, 2006

Genetics: What is a gene?

Pelo menos a mim fez-me lembrar qualquer coisa... Saiu na semana passada na Nature um artigo interessante sobre os limites da definição de gene e as novidades a ter em conta quando se tenta definir um gene. Grande parte delas já tinhamos falado pelos cursos mas nunca é de mais recordar e acrescentar nova informação.

A primeira nova informação que surgiu e que abalou a definição de um gene foi a descoberta do splicing alternativo em vírus em 1977, portanto a ideia de um gene uma proteína já não estava correcta.
Depois fala da existência de fused transcripts que acontecem quando a RNA pol inicia a transcrição num "gene" e continua por ali fora trascrevendo vários "genes".
No curso de RNA também já tínhamos ouvido falar de RNAs que desempenham funções celulares como se fossem uma proteína. Mas o que eu acho mais interessante é a possibilidade de o RNA poder funcionar como template para o DNA. Aqui eles dão o exemplo do gene kit estudado no rato em que os descendentes de dois ratos com um gene mutado e um normal, apesar de terem recebido dois genes normais, ainda têm o fenótipo característico da mutação e a justificação está na acumulação de RNA mutado que é transmtida à descendência.

Outro exemplo que eles dão é na planta Arabidopsis. Então, algumas plantas têm o gene hothead (não sei o porquê do nome) normal apesar de os seus "pais" terem o gene mutado. A explicação está na utlização de RNA que foi passado às gerações futuras como template para substituir a mutação no DNA.

Não sei até que ponto estas novas definições poderão alterar o nosso trabalho prático no dia a dia mas por exemplo em biologia computacional onde os "genes" são analisados e alinhados e comparados, sem dúvida que vem revolucionar um pouco.

(E agora a minha chefe apareceu aqui e vei-o me dar trabalho lol)

Segunda-feira, Maio 29, 2006

PARABENS!!!

Domingo, Maio 28, 2006

cliches britanicos

Ola minha gente,

Pois e finalmente resolvi dizer qualquer coisa aqui para o nosso blog. Confesso que isto foi acelerado por 2 factores: amanha e feriado (tivemos fim de semana comprido aqui no UK) e o pessoal comecou a dizer mal do tempo britanico. Isto para mim e suficiente para me fazer falar daquele que se tornou um dos meus temas de conversa predilectos: gozar com os comportamentos clichés dos britanicos (eu sei que me podem acusar de ma integracao e coisas que tais… mas eu gosto mesmo de pegar com isto). Os dois primeiros clichés que apresento ja estao um pouco gastos e nao sao novidade nenhuma, mas mesmo assim eu resolvi dar o meu cunho pessoal a coisa!
1- a ida ao pub - que e uma coisa em que muito dificilmente alguma vez me vou integrar em pleno. Sim porque eu bebo uma pint e ja me chega enquanto este povo bebe as 5 de cada vez! E apesar de ter um lab bastante internacional, o pessoal que vai ao pub ou e do UK ou esta habituado a bebida. Este e o caso de uma colega polaca que, so para voces terem uma ideia do andamento da miuda, nao bebe vodka porque enjoou!
2- despir para ir para a noite.Agora com o “tempo quente” Bristol transforma-se completamente com a chegada do fim de semana. Ha um bar/pub aberto em cada esquina, as ruas cheias de gente e muita muida com pouca roupa! E ate nem faltam as colegiais (esse sorrizinho Fred!) e os carros de bombeiros alugados para festas (ah pois Vanessa nao e so em Edimbrah!). Algumas jovens esmeram-se tanto para trazerem pouca roupa que eu acho que se a Tiazinha (lembram-se da personagem?) ca viesse ia passar completamente despercebida!
3- Mas o que me da mesmo gozo falar e na mania do “saudavel” desta gente! Esta e de longe a minha preferida.(e certamente nao tao familiar a todos voces…). Segundo as estatisticas que passam aqui nos telejornais o UK e o pais da Europa com mais pessoas com excesso de peso. Ora isto para quem chega ca e numa primeira impressao e um pouco estranho porque este povo so come coisas light, com baixo teor em gordura e afins (a publicidade que passa na TV da imenso enfase a este assunto). Mas rapidamente o pessoal se apercebe que esta gente tem e as prioridades alimentares completamente trocadas! Estes tipos comem cerca de um pacote (pelo menos) de crisps por dia, acompanham o café ou o cha muitas vezes com um chocolate, embarcam cerveja as litradas e devidamente acompanhada por amendois salgados e outros aperitivos mas depois cozem o arroz sem sal porque e mais saudavel! Bem nao me digam que isto nao e “gozavel” !

E e tudo… quando tiver mais qualquer coisa com que gozar volto a arena!

Sábado, Maio 27, 2006

desde que vim de Portugal (dia 10), que eu me lembre, houve qualquer coisa como sol em 3 dias so. Nos outros esteve ceu baixo e carregado e choveu sempre.

agora mesmo, 27 de Maio, estao 12 graus e a chover.

e as regatas do "Summer Heights" decorrem no Isis...

achas normal???

Terça-feira, Maio 23, 2006

Parabéns!!!

Quinta-feira, Maio 18, 2006

OOhhhhh nãaaaoooooooo!
Entrei aqui no Leucippus e fui o visitante número 666!!!! Tou possuíiiiidaaaaaaaaa!!!!!!!

Quarta-feira, Maio 17, 2006

Gluckstrasse

Eis a primeira vez que me decido a escrever para o Leucippus. Já há alguns dias que andava a tentar entrar no blog, mas, ai!, que me esqueci do meu username e password e mais que tal... Agora fiquei com o belo nome de gluckstr3... Ora muito bem que até nem calhou nada mal. Gluckstrasse. A rua da sorte. O nome da rua em que moro, no número 3. O nome da rua que gostaria de percorrer durante toda a minha vida. Sorte! Bom, também poderá ser "má sorte" e nesse caso, azar!! hehe Pois que não estou a dizer nada de jeito... Mudemos de parágrafo, então...
Penso no que vos poderei contar.. O meu dia-a-dia? Bom, vivo numa ilha, numa grande família. Alojamento de qualidade, maquinaria topo de gama. Tem tudo. Cantina, bar com cappuccino e expresso e croissants de chocolate e bretzels quentinhas. Tem cinema. Tem DVD club, casas de banho, salas de convívio, terraços, matraquilhos, cerveja, muita cerveja todas as sextas-feira, e tem pessoas que passam o tempo a discutir se é a proteína A que interage com B ou se vice-versa. Tem jardim com passarinhos e com um lago que gela no Inverno. Tem tudo! Fluorescência, spinning discs, espetrometria, sequenciação. Tudo tem! Tudo fazem para nos manter... na ilha! Às vezes fico curiosa acerca da cor do mar que rodeia esta ilha. Das espécies de peixinhos que nadam em grandes cardumes. Outros solitários. Fico a pensar qual a importância que os ditos peixinhos darão a uma tão importante ilha, tão sofisticada, com gente que não nada como eles, que fala outra língua, que discutem durante horas e horas até chegarem à conclusão de que nada é "conclusível" .. O mar em redor vai mudando. Tenho a certeza! Uns dias tem ondas maiores, gigantes, talvez. Noutros não tem ondas, é calminho e azul. Os peixes vão nadando. Felizes. Ao sabor das marés. Não sei bem. Continuo na ilha. Sofisticada. Discuto ciência. Discuto grandes e importantes publicações recentes ou passadas. Nada sei dos peixinhos. Como estará hoje a maré?
Leucippus, século V aC, foi um dos fundadores do atomismo, uma filosofia que diz que tudo é constituído por elementos indivisíveis, os átomos.

Nothing happens at random (maten), but everything from reason (ek logou) and by necessity.

— Leucippus, Diels-Kranz 67 B1


Maria João

Palavras Sabias

"Make things as simple as you can, but not simpler"
Albert Einstein

Sexta-feira, Maio 12, 2006

EUREKA!

Grzegorz Terszowski et al. Evidence for a Functional Second Thymus in Mice. Science 14 April 2006:Vol. 312. no. 5771, pp. 284 - 287

este artigo e' mais uma curiosidade do que uma revolucao... mas pronto... um EUREKA de imunologia nunca fez mal a ninguem! :)

descobriram q em algumas estirpes de ratinhos (e talvez em humanos adultos) ha mais do que um timo! o normal (toracico) e uns timozinhos pequeninos no pescoco e que tambem sao funcionais - tambem amadurecem e seleccionam linfocitos T.

ora isto nao passaria de uma curiosidade anatomica nao fosse o facto de existirem uma data de experiencias publicadas baseadas na remocao do timo toracico - nomeadamente para estudo de fenomenos "thymus-independent", como o "turnover" de linfocitos, a producao extratimica em outros orgaos, etc ou mesmo desenvolvimento de self-tolerance e celulas T reguladoras...

agora parece q temos mais um jogador em campo para complicar tudo mais um bocadinho, que e' mesmo o que no's imunologistas esta'vamos a precisar, nao e' Bicheiro?

Terça-feira, Maio 09, 2006

PARABENS!!!!!



Parabéns ao nosso Fred! Já está um homenzinho!!!
Diverte-te muito na queima, seu sacaninha... e já agora bebe um copo (pode ser um shot) por cada um de nós.

Segunda-feira, Maio 08, 2006

Ainda o inquérito

Só hoje enviei o inquérito preenchido. Aqui ficam as minhas impressões resumidas sobre o assunto.

Os objectivos deste inquérito passaram-me um bocado ao lado. As admissões para o PGDB estão fechadas e, acima de todas as outras causas, não há, como não houve, vontade de continuar o projecto.

Avaliar o PGDB agora? E quem vai ouvir? No nosso ano de PGDB fomos constantemente ouvidos só para sermos ignorados e contrariados de seguida. O próprio inquérito é limitado. Mas reconheço mérito à iniciativa: porque ainda há desafios para o PGDB e porque apela ao seu maior activo (os seus alunos). Manter a rede de contactos é essencial (entre PGDBs, com os alunos dos outros programas, e com o IGC); os encontros anuais eram um bom meio de atingir este objectivo, mas até isso está agora ameaçado...

Sábado, Maio 06, 2006

O meu mail para o Jose Antao

Caro colega

Gostaria tambem de lhe perguntar qual e o objectivo do inquerito.
Parece-me mais uma avaliacao da direccao e do IGC do que de uma tentativa
de sermos ouvidos e de tentar salvar o nosso bem amado programa.

Na minha opiniao o programa morreu pelos seguintes factos:

O PGDB era mal visto pelos cientistas do IGC. Tinham a ideia que nao
davamos nada ao IGC e estavamos a retirar fundos a FCG.

O facto do governo nao ter pago o que devia a FCG ajudou ao encerramento
do programa.

O surgimento do PGBC tambem ajudou ao encerramento do PGDB pois o IGC nao
nao estrutura fisica para dois programas simultaneos. E sendo que o PGBC e
finaciado pela Siemens a escolha torna-se obvia.

Bem como o facto de o PGDB(M) ter sido formado para constituir um quorum
apreciavel de cientistas de qualidade que voltassem para o IGC. Este
quorum a meu ver esta atingido, quer a nivel do IGC quer a nivel do pais,
que de momento esta quase saturado de cientistas, embora nem sempre de
qualidade, em especial nass Universidades.

O facto dos alunos do PGDB nao corresponderem as expectativas, em especial
os do PGDB 5 no qual me inseri fui usado como justificacao, bem como a
falta de financiamento para terminar o programa.

O que fazer para salvar o PGDB

Nao me parece que haja vontade do IGC e FCG de reatar o PGDB. Este
programa internacionalmente reconhecido, por alunos de PhD e supervisores
(que ainda acham inacreditavel que o PGDB tenha acabado).

So nos resta manter a rede de contactos para troca de conhecimento
cientifico bem como tentar manter vivo o meeting anual, com parametros
menos dispendiosos, em que as viagens, estadias seriam suportadas por nos,
sendo o meeting realizado no IGC ou numa Universidade que nos cedesse uma
sala de conferencias por 4 dias (p.e. FMUL, IMM, edificio egas moniz).

Vou tentar responder ao questionario o mais depressa possivel, pois tive
problemas de compatibilidade.

Bem haja este esforco

Cumprimentos

Manuel Batista

Quarta-feira, Maio 03, 2006

PGDBs Anónimos

Boa Noite. Chamo-me Daniel... (longo silêncio) e sou um PGDB.
(palmas e expressões de encorajamento)

Tudo começou de forma inocente. Uma conversa casual, num dia como todos os outros:
- Olha, já ouviste falar no PGDB?
- Não, o que é?
- É um programa de doutoramento, muito fixe. Tu, que gostas de biologia, mas que tens medo de te meter porque nunca tiveste, acho que devias experimentar. O primeiro ano é teórico e dão as bases teóricas da biologia. Depois tens liberdade para escolher o teu projecto.
- A sério? Isso parece muito porreiro... Prometo-te que vou dar uma olhadela.
(sinais de reprovação na audiência)

Nunca pensei, pensando agora em retrospectiva, que esta conversa casual pudesse ter um impacto tão grande na minha vida. Nunca pensei... que de um rapazinho inocente, que passava a vida a jogar computador e a jogar à bola, me transformasse em alguém que não consegue passar sem a última edição da Nature, ou da Developmental Biology. Em alguém que arranja mais artigos do que aqueles que consegue imprimir, quanto mais ler. Alguém que ganhou uma curiosidade insaciável pelos mistérios da vida. Alguém que aprendeu com os melhores professores e com os melhores colegas que se pode ter, a pesquisar as diferentes perspectivas de um problema e analisá-las com sentido crítico, formando uma opinião própria e sustentada com argumentação. Alguém que aos poucos vai compreendendo que um doutoramento não é a procura solitária de um Holy Grail, de uma verdade escondida algures numa caverna de sombras fabricadas por algum sofisticado jogo de luzes. Que um doutoramento consiste em marcar a nossa posição na comunidade e em receber a sua aprovação para poder contribuir para a procura dessa utópica verdade.

Nunca pensei em vir a atravessar este caminho... mas agora que cheguei até aqui não consigo voltar para trás. Não vejo a luz ao fundo do túnel (e como ele me parece longo!) mas fechei uma porta para a qual já não tenho a chave.

Pôrra, sou um PGDB... e não consigo deixar de o ser...
(reclinação humilde e silêncio triste)

PS: Desculpem-me por este post... hoje foi um dia de merda!

Terça-feira, Maio 02, 2006

“Ask not what the PGDB can do for you. Ask what you can do for the PGDB.”

Dear all,

O PGDB esta' morto.

Ha uns tempos o Miguel mandou um mail (que agora nao encontro), a pedir ideias para salvar a reuniao anual porque nao ia haver dinheiro para a realizar. Na altura tive uma serie de ideias que penso poderiam ajudar a salvar o meeting mas nao as cheguei a sistematizar... agora com esta historia do Jose Antao voltei a lembrar-me delas e entre 3 incubacoes passei-as "para o papel" - aviso ja que o post e' longo - mas provavelmente e' polemico, por isso vale a pena ler :)

Sao ideias serias e muito simples, e que talvez salvassem o meeting embora tenha consciencia que destroem completamente o seu espirito inicial e acabem com a componente de reencontro entre PGDBs. Parece-me, no entanto, que poderiam melhorar a qualidade do meeting, ajudar-nos a ter feedback sobre o nosso trabalho e a manter contacto com a ciencia portuguesa, para o caso de alguem querer voltar um dia destes.

A minha ideia era mandar estas ideias para o Coutinho, Seabra e Sukalyan, como responsaveis maximos pela existencia do PGDB e tambem pela sua extincao.

Como sao ideias que imagino polemicas entre os PGDBs e mesmo IGC, envio-as a voces primeiro para me convencerem q nao tenho razao :) Se fosse eu a mandar era assim que eu mandava.

O povo portugues tem um ditado que diz: "quem nao tem dinheiro, nao tem vicios".

Salve-se ao menos a Ciencia:


“Dear IGC and PGDB directors

The decision of the directors of IGC of discontinuing new PGDB enrolments and stop funding the ongoing PGDBs annual meeting, obviously, terminated the PGDB.

A while ago you sent to all PGDB students a notice of the lack of money for next years meetings and asked for suggestions to save the annual meetings.

Here are some ideas and suggestions that come to my mind on the topic.

When I chose PGDB, instead of other career options or other PhD programs, I reckoned that it was the best structured PhD program in Portugal, and, I believe, the annual meeting was, an important part of it, allowing regular feedback on the student's work, as well as the keeping him on contact with the Portuguese science.

I have always understood PGDB as a 1+3 year (+ all scientific life…?) program, much to the opposite of the general view of PGDB as a 1 year taught program.
I have to say I consider the hosts and organizers to be the first ones to view and share the idea of PGDB as a 1-year taught program, not showing particular interest to what happened to the students afterwards (meaning the rest of the PhD and after PhD). Some examples can exemplify this:

1. The director of the host institution, IGC, does nor usually attend the meetings of his students, showing no particular interest on his program.

2. The kind request to keep the PGDB direction informed of how things are going (papers, phd degrees,…) sounds to me a bit "unofficial", as opposed to a requirement that I believe should exist.

3. PGDB was a very generous program. I believe the program should require its students to clearly state in their work (posters, papers, presentations, etc) that they are PGDB students. Recognizing the generosity of the program, its importance in my scientific education and, specially, because I feel a PGDB student still, I will always state I am a Gulbenkian student.

4. PGDB/PGDBM contributed enormously to Portuguese science. However, no record of this contribution (people, phds, positions, papers, etc) can be found anywhere on the web or elsewhere. I understand that PGDB aims are of different kind of advertising itself, but it seems to me that stating publicly its achievements could highlight the importance of the program, and could have helped in a sensible time like this one (funding shortage from the government and foundation).
Other programs were able to keep and show these records and, I believe, take recognition for this simple procedure.

5. There is no “network” of PGDB/PGDBM students/alumni – no one knows who was a PGDB and no “feeling of belonging” seems to exist.
In this spirit, the costless invitation of PGDB/PGDBM alumni to participate in the meeting could also contribute to the impact of the meetings and keep engagement on the future of the program.

In a time of such government broadcasted commitment to Science, it is astonishing how the death of the best Portuguese PhD program came unnoticed and unmourned to the Portuguese scientific community, even to PGDB/PGDBM students and alumni.


I, so, believe that the annual meeting should be continued.

Here are my suggestions to face the money shortage:

1. I do not agree that participation in the meeting should be turned voluntary.
This will kill the meeting and, if you understand PGDB as a 1+3, it is right and duty of the program to track how its students are doing. This would require the program to cover travel expenses. Collaboration from student/supervisors to support their travelling costs if possible could be tried.

2. Reckoning the money shortage I suggest PGDB should not pay for accommodation (that I imagine is an important part of the budget). This would imply that each student would only be required to be in the meeting for one day – go to the meeting and go back home or else.
Being so, instead of spreading related theme presentations in different days, each subject should be gather in the dedicated day, so that all people interested in the topic got together and interact – day for immunology, day for neurobiology etc.

The current idea of different themes in successive presentations (claimed to increase interdisciplinary…) is absolutely contra productive as you can get bigger attendances in numbers, but sleeping, shy and not participative audiences

I totally support small attendances of interested people that are educated in the topic. This eases interaction between the speaker and audience, and allows talking about things that really matter, not weird or irrelevant ideas.

3. The meetings should be done in the IGC. This allowed saving the money of renting presentation rooms and, more important, would keep contact of the student with the program host institution – the IGC, eventually compensating the institute for its investment.

I believe one of the biggest mistakes of the program was its lack of commitment to its funding institution, being always regarded as a foreign body that soaked money from the IGC research without compensating the institute.
This idea is, actually, not completely incorrect. The reward to the IGC, apart from the presence of some good scientists teaching there and some international reputation by having students abroad, was usually negligible.
None in the IGC knows what are the PGDB students doing and vice versa.

I believe that having the PGDB meeting "inside walls" would allow the institute to feel the PGDB as yours, and, more important, would allow interaction between researchers in the IGC and what is done in research groups all over the world, as well as providing more feedback to the student coming from the IGC research staff.

Eventually, this would help create bridges between IGC and research groups abroad.

4. The annual internal PDIGC meeting seems to me the logical timing to do merged PGDB/PDIGC seminars.

Doing it each day a topic (neurobiology, immunology, development, etc), and if well advertised among PGDB/PGDBM alumni and other institutions, it could bring to the IGC an interested audience each day.

Frederico Regateiro (5th and last, PGDB)”


Resposta do José Antão

O objectivo é entregar esta avaliacão ao António Coutinho e à direccão da
FCG. Foi-me sugerido pelo próprio que manifestássemos uma opinião do grupo
de estudantes. Acho que é melhor ter uma posicão marcada nesta altura do que
simplesmente assobiar para o lado e baixar os bracos. Uma coisa que poderá
estar em causa, por exemplo, é a reunião anual. O estado de indefinicão
directiva está a manter as coisas num estado de apatia, que se não nos
mexermos nos vai vencer pelo cansaco e pela inércia.
Ou seja, ninguém tem de preencher inquérito nenhum, nem tem de estar
interessado no assunto. Se achares que o tema vale 5 minutos, quantas mais
opiniões se puderem juntar, melhor.

EUREKA

Durante estes primeiros 6 meses de doutoramento a tendência tem sido precisamente inversa à esperada. Passo a explicar o que é muito simples: cada vez acho que sei menos sobre o que quer que seja que eu ando a estudar. Se isto continua assim chego ao fim do PhD um perfeito ignorante e já nem o conceito de “morphogen” consigo explicar. A culpa de tudo isto é a quantidade de informação diponível à distância de um simples clique, num qualquer rato perdido pelo Mundo. Aposto que se eu fosse bem mais velho e tivesse feito um doutoramento old school style, nada disto me estaria acontecer. A informação nessa altura estava toda bem guardadinha (diria até escondida!) em bibliotecas, em geral locais aborrecidos e pouco atractivos. Atrevo-me então a subverter a sabedoria popular para dizer: quem não vê é como quem não sabe.
Pois, mas nos dias que correm é mesmo impossível não ver que há imensa informação acumulada e que está facilmente acessível, e vai daí que não dá mesmo para eu contornar a minha patética e preocupante ignorância.
(Também) Por isso, decidi começar uma série chamada EUREKA na qual pretendo chamar a atenção para artigos seminais, que estão mais ou menos relacionados com o que eu ando a fazer, mas que deviam ser lidos por todos, pois julgo que o seu conhecimento é essencial para os que se preocupam com a sua cultura cientifica (eu tenho desses dias). Deixo-vos então com:

http://www.cell.com/content/article/abstract?uid=PIIS0092867400811149

Em que se demonstra pela primeira vez, em Drosophila, a existência de long-range morphogens num sistema multicelular. No meu lab, é opinião compartilhada que este e outros trabalhos do Gary Struhl e Konrad Basler ainda lhes pode vir a garantir um Nobel.
Espero que no futuro me ajudem a manter este blogue cheio de EUREKAS.

PGDB Questionnaire

Acho que todos voces receberam o inquerito. Espero que tenham tempo para o preencher. Eu vou mesmo tentar arranjar tempo porque acho importante que a nossa opinião seja ouvida. Resta é saber se vai mesmo ser ouvida e por quem, mas a Cátia disse-me que ja mandou um mail ao Antão a perguntar a quem é que isto vai ser entregue.
Fiquei foi um bocado desiludido com o questionário em si. É mais uma avaliação à direcção do que ao programa como um todo; certamente sublinharei alguns aspectos positivos do programa na parte reservada aos comentários.

O que é que voces acham disto? Ou como diria o Peter Scheifelle - ideas, comments, questions?

Receberam isto?

Vocês sabiam alguma coisa que isto estava a ser preparado?
Para que serve agora que o programa já acabou??

Dear colleagues,
I hope everything is well with everybody.
As most of you may be aware of, there has been some turmoil surrounding the
PGDB lately.
All the way through it, I've felt like we, the students, haven't had a very
prominent role in pointing out problems or finding out solutions for the
Program. The main factor to this apparent lack of interest is the lack of a
concerted position from us.
I would therefore like you to take the 5 minutes it takes to fill out the
attached questionnaire and email it back to me. Do not answer anything you
don't want to. If you want to fill it out anonymously you can do so, but the
only guarantee you get for that status is my word that I won't look for or
share identities. Even though I don't see enough reasons for someone to
hide.
Also, please reply to me only, to avoid cluttering mailboxes with
unsolicited emails.
I will process the data coming back from you and give it to the IGC/FCG
Directions.
Whatever the outcome of this initiative, if any, I believe our group opinion
should be on the table, because all other parts will have theirs.
Finally, the list of addresses I'm sending this email to is as comprehensive
as I could gather, but feel free to forward it to any fellow PGDB students I
may have missed.
Thank you very much for your time and good luck with your research.