Back to Eureka
Bom, depois de uns interlúdios nostálgicos e de uma sabotagenzinha ao blogger para permitir comentários anónimos mais ou menos maliciosos, regresso ao tema iniciado pelo nosso amigo Another Time Out (aka "Tergat" de Nova York): Eureka!
Imai KS, Levine M, Satoh N, Satou Y.
Regulatory blueprint for a chordate embryo.
Science. 2006 May 26;312(5777):1183-7.
PMID: 16728634
Escolhi este trabalho porque é uma base importante para a minha tese (o tal túnel sem fim, que é sempre a direito, mas que é preciso fazê-lo). O trabalho a que me refiro não é nenhuma descoberta fundamental, é antes um trabalho de insistência e perseverância (tão típico do carácter Japonês dos seus autores).
Este trabalho baseia-se em trabalhos anteriores (e.g. Imai 2004) onde pela primeira vez temos uma análise sistemática da expressão embrionária (num organismo basal aos vertebrados, mas suficientemente simples para termos uma resolução celular) de todos os factores de transcrição (conhecidos e potenciais) assim como de diversos elementos de vias de sinalização. Em cima desse trabalho, o que os autores fizeram foi analizar o efeito cada um dos genes em todos outros através de morpholinos, vendo quais as possíveis interações causais em termos de "fate decision".
Porquê é que acho este trabalho é importante, sabendo nós desde já que as excepções são antes a regra? Para já, considero que é uma primeira forma de ligar campos que neste momento são (quase) opostos (high troughput vs análise detalhada). Não apenas isso, podemos ter realmente uma ideia do impacto que as excepções têm nas regras (será realmente a excepção a regra, ou teremos uma boa parte dos casos com comportamento comparável). Depois, este trabalho (com todas as limitações que lhe podemos atribuir) é uma base para todos os outros, permitindo integrar mais facilmente (espera-se) as excepções umas com as outras, no sentido de tentar encontrar um todo.
Se juntarmos a isto o facto de termos uma resolução celular num organismo simples e que ainda por cima é considerado como basal aos vertebrados (ao contrário das moscas e das "minhocas"), então julgo que temos um modelo sexy para estudar o desenvolvimento embrionário a um nível global. Obviamente, dirão alguns... que estudar a expressão genética não é estudar o desenvolvimento embrionário... bom, isso fica para um próximo capítulo, mas se quiserem um cheirinho, podem ver (Tassy et al., Curr. Biol. 2006).
Prontozz... e com isto acabo o bloco de publicidade... de volta à emissão!
Imai KS, Levine M, Satoh N, Satou Y.
Regulatory blueprint for a chordate embryo.
Science. 2006 May 26;312(5777):1183-7.
PMID: 16728634
Escolhi este trabalho porque é uma base importante para a minha tese (o tal túnel sem fim, que é sempre a direito, mas que é preciso fazê-lo). O trabalho a que me refiro não é nenhuma descoberta fundamental, é antes um trabalho de insistência e perseverância (tão típico do carácter Japonês dos seus autores).
Este trabalho baseia-se em trabalhos anteriores (e.g. Imai 2004) onde pela primeira vez temos uma análise sistemática da expressão embrionária (num organismo basal aos vertebrados, mas suficientemente simples para termos uma resolução celular) de todos os factores de transcrição (conhecidos e potenciais) assim como de diversos elementos de vias de sinalização. Em cima desse trabalho, o que os autores fizeram foi analizar o efeito cada um dos genes em todos outros através de morpholinos, vendo quais as possíveis interações causais em termos de "fate decision".
Porquê é que acho este trabalho é importante, sabendo nós desde já que as excepções são antes a regra? Para já, considero que é uma primeira forma de ligar campos que neste momento são (quase) opostos (high troughput vs análise detalhada). Não apenas isso, podemos ter realmente uma ideia do impacto que as excepções têm nas regras (será realmente a excepção a regra, ou teremos uma boa parte dos casos com comportamento comparável). Depois, este trabalho (com todas as limitações que lhe podemos atribuir) é uma base para todos os outros, permitindo integrar mais facilmente (espera-se) as excepções umas com as outras, no sentido de tentar encontrar um todo.
Se juntarmos a isto o facto de termos uma resolução celular num organismo simples e que ainda por cima é considerado como basal aos vertebrados (ao contrário das moscas e das "minhocas"), então julgo que temos um modelo sexy para estudar o desenvolvimento embrionário a um nível global. Obviamente, dirão alguns... que estudar a expressão genética não é estudar o desenvolvimento embrionário... bom, isso fica para um próximo capítulo, mas se quiserem um cheirinho, podem ver (Tassy et al., Curr. Biol. 2006).
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